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O RIO ENSIMESMO-livro EXTRAGEMA

  • Foto do escritor: Valter Rogério
    Valter Rogério
  • 22 de dez. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 7 de mai. de 2022

O rio achocalhado carrega suas águas até o mar

e acomoda seus ossos do viver diante do oficio.

Insensato poder das maravilhas humanas nuas

constrói seus caminhos cursos em seus leitos

e se apodera do medo dos homens ocos e vazios

como portas fechadas de casas casebres maltrapilhos

onde nem ele mesmo cacos d’águas sabe agua fria buscar .


Tem ele seus pedaços de riachos córregos que chegam

até o mar que por si mesmo os ribeirinhos sabe buscar.

Estes fazem do mesmo ser amado como pele seca

e conter o mal distorcido da terra sofrida de frio casco

como entes de suas próprias águas o fazem torto parir,

se os infinitos carregam a gestação insólita viva de partes.


Os rios e seu charque encharque de carnes secas

que sobre as mulas nobres fazem sobre as águas passar

pepitas de cargas carregam suores de ventanias corrompidas

de silencio e ostras noturna taciturno entremeados das falácias

diante dos olhos da fome e seus sentidos do subterrâneo

arrasta magricela arranca das costelas de dor onde só ele

sabe ter e ser sofrer de quem passou por este a conviver.




Quem sabe mesmo a terra terá esperança de olhos concisos

tragos da fé e tragadas de fraquezas que homens mulheres

não tem mais como viver e escarafunchar o sustento da vida

contidas de alumínios e chumbo onde os peixes flutuam mercúrios

e deixam ali seu ultimo suspiro tóxico de viver nesta arribação.


Como pode destruirem o chão terrácio que do mundo

se faz e converte ponteira de cego em terra arada

e o faz por encaixar o desterro da sentença humana

rebeldia como arreio sobre o corpo de um animal,

E suas barrigadas amarradas de vermes e piolhos

que contem explorar da vida submundana humana :


Como porcos que roubam a mandioca da roça

ensimesmo de cheiro o cortar da lama amordecida

da escuridão diante das arribações e trovoadas.

Olho o rio e vejo que ele quer seguir seu curso

Antes de tornar-me adulto tinha medo da aguas

dos ventos e das trovoadas em serrados savanas abertas.


Agora olho o poço profundo das aguas paradas

e nela não sei bem ainda o que tem dentro delas

se podemos seguir diante do processo travado

e o que substancia o segredo dos homens em vão.

Muitas vezes achei que poderia ser um barco cigano

e seguir no mundo afora dos rios até chegar no mar

mas o rio tem riachos córregos lagoas e nascentes

onde ainda não sei muito bem o que significa ser ou ter

Como prisioneiro de meus sonhos inalcançados cossacos

perdidos e ao mesmo tempo cercado de minhas dores

temidas esperanças que chocam os pálidos a vencer.


Contudo penso no remanso das mares de rios e mares

e certo talvez tudo seria acreditar que o soluçar da vida

terá um fim ou talvez encontrarei meu ser num poente

desacreditado incerto de saber que contudo podemos

soluçar e respirar o que pode acontecer certo amanhecerá

assim será o incerto percurso dos rios voadores a contar.



Poesia do livro : EXTRAGEMA

Autor: Valter Rogério Nogueira de Almeida

Foto Sônia Ropelli





 
 
 

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